“Por eles x apesar deles…”

Por Rodrigo Motta

No contato diário com os alunos, ouvimos muito das suas histórias de vida. Realidades difíceis, muita luta e empenho, mesmo quando as condições não são as melhores.

A escassez de oportunidades traz um elemento adicional aos estudos: a preocupação de “até quando vai durar a caminhada”. A incerteza quanto ao tempo necessário até a nomeação desestimula muitos candidatos. Não são raros os casos de alunos que pensam em desistir no meio da caminhada, pela frustração com alguma reprovação ou mesmo supostas recomendações familiares. É exatamente sobre o último ponto que quero conversar com você.

Tenho alunos que possuem uma excelente base. A família é alicerce, sem o qual tudo seria infinitamente mais árido.

Pais que apoiam filhos(as), avós que dão suporte cuidando dos filhos dos alunos, maridos/esposas que se desdobram trabalhando para criar condições amenas e ideais para contribuir na caminhada dos seus companheiros.

Fazem por eles. Acreditam naquela opção e ajudam no que é possível. É encantador saber que existem pessoas que entendem o quão difícil é escolher uma vida onde não temos a certeza de quando a luta chegará ao fim.

E mais: não depende apenas da aprovação, mas também da convocação para posse. Quantos aprovados não foram convocados pelos órgãos, ainda que houvesse grande esperança?

Por outro lado, tenho alunos que estudam apesar deles. Acredite, isso existe. Tenho relatos de candidatos a concursos policiais que ouviram dentro de suas próprias casas que “não colocou filho no mundo para ser policial”.

Maridos que colocam em dúvida o esforço da esposa em comparecer ao curso preparatório sob o argumento de que “está estudando mesmo?”. É desconfortável e desalentador não ter a confiança de quem prometeu que estaria contigo “na alegria ou na tristeza” (lembra do casamento?).

Quando não temos nada a dizer, melhor nada dizer. Palavras de desencorajamento tornam os estudos ainda mais pesados. Mesmo quando amamos estudar, quando o fazemos com obrigação de resultado, torna-se mais áspero.

Concurseiro não quer bajulação, mas compreensão. Ofereça ajuda. Por vezes, um abraço contribui. Uma palavra de conforto, estímulo e ânimo. A vida de estudos já se encarrega de fazer a parte pesada. Ajude-a a tornar-se mais leve e aprazível.

Ah, e se não quiser ajudar, tudo bem também. Só não precisa atrapalhar, né? Vamos juntos! Só largo a sua mão para assinar o termo de posse. Bons estudos e até a próxima!

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